terça-feira, 19 de novembro de 2019

Eliana 2001: O Disco

Em plena ascensão na Record, Eliana vivia uma fase de ouro. Seu programa estava a todo vapor, chegando várias vezes ao segundo lugar em audiência com o animado “Eliana & Alegria”, exibido ao vivo por duas horas.

Mesmo com a rotina intensa na televisão, ela ainda encontrou tempo para se dedicar a um novo álbum, um projeto que prometia superar as expectativas do anterior. O disco “Eliana 2001” trouxe regravações de grandes sucessos infantis e uma canção-tema especial para o anime Sailor Moon, que voltava à TV brasileira naquele período. 


Se não fosse apresentadora, Eliana certamente poderia ter seguido uma carreira sólida como cantora. Na época, já acumulava mais de dois milhões de cópias vendidas em oito discos — e este seria o nono. “Comecei minha carreira cantando, mas surpreendi e evoluí nesse CD. Ganhei até elogios do produtor. Ele disse que se eu só quisesse cantar, daria certo.” Eliana, em entrevista à época.

O conceito do álbum “Eliana 2001” foi pensado como uma verdadeira celebração da infância. A ideia era homenagear os clássicos infantis com canções doces e nostálgicas, inéditas para as novas gerações, mas cheias de memória afetiva para os pais. Essa mistura de revival e novidade era uma das marcas registradas de Eliana, que sabia como conectar públicos de diferentes idades.

🎶 A origem da seleção musical

A escolha do repertório teve uma história curiosa. Na época, Eliana ganhou de um amigo uma vitrola e uma coleção de discos de vinil infantis. Encantada, passou a madrugada inteira ouvindo cada faixa. No dia seguinte, com a ajuda do produtor Guto Graça Mello, o mesmo responsável pelo primeiro disco do Xou da Xuxa, ela selecionou a dedo as músicas que fariam parte do novo projeto.

Inicialmente, havia planos ambiciosos: o álbum seria transformado em um DVD e até em uma peça musical. Apesar de o projeto não ter seguido adiante, Eliana realizou parte desse sonho no ano seguinte, ao lançar um DVD de clipes

O disco traz 14 faixas ao todo, sendo 10 regravações de clássicos e 4 músicas inéditas, e  para completar, há ainda uma inédita, chamada “Anjo Pra Mim”, que fala sobre a perspectiva de um grande amor mas que acabou de fora do repertório final. 

O desejo de Eliana era que o álbum se chamasse “Eliana no País das Maravilhas”,  um título que refletia perfeitamente o clima lúdico das canções e a atmosfera mágica das gravações realizadas no Rio de Janeiro

Com o título original, e a ideia era transformar o álbum em um DVD, o projeto tinha tudo para emplacar ainda mais Mesmo assim, o disco lançado em setembro foi um verdadeiro êxito: vendeu 350 mil cópias, rendendo a Eliana um Disco de Ouro e outro de Platina, mais uma prova do seu poder junto ao público infantil.

Durante o ensaio fotográfico do álbum, Eliana passou mais de nove horas trancada no estúdio do renomado fotógrafo Chico Audi, em São Paulo. No meio da maratona de cliques, bateu a saudade de casa  e ela pediu que a irmã buscasse seu bulldog Roy, de cinco meses, para fazer companhia.

💿 As músicas

Lembra que o álbum “Eliana 2001” trazia dez regravações de clássicos infantis? A faixa que abre o disco é justamente uma delas: “O Elefante e a Formiguinha”, sucesso originalmente gravado pelo grupo Trem da Alegria, em 1989.

Embora a música não tenha ganhado tanto destaque na versão original, Eliana conseguiu dar nova vida à canção. Além de abrir o álbum, ela também foi usada como tema de abertura do programa na época  e ainda ganhou um videoclipe gravado em um circo, cheio de fantasia e alegria, no melhor estilo Eliana.   

Outra faixa do álbum que ganhou videoclipe foi o clássico “A Galinha Magricela”, sucesso inesquecível da Turma do Balão Mágico. A música, já queridinha de gerações, recebeu uma nova roupagem e  a apresentadora apostou forte na divulgação da canção.

O videoclipe, cheio de humor, mostra Eliana em um galinheiro, em meio a cenários coloridos e ainda traz uma versão alternativa da música, exclusiva para o vídeo e apresentações em programas de TV na época.

Curiosamente, no ano seguinte, ambos os clipes “O Elefante e a Formiguinha” e “A Galinha Magricela” foram incluídos como extras no DVD É Dez, lançado por Eliana.                          

Entre as 14 faixas de Eliana 2001, “Bola de Cristal” aparece como a primeira canção inédita, aquela típica baladinha romântica em disco infantil que a gente talvez não entenda completamente, mas ouve e se apaixona mesmo assim. Curiosamente, a composição é assinada por Sérgio Carrer, mesmo autor da música "Alô" de Chitãozinho e Xororó e "Vamos Pulá" de Sandy e Júnior

E quem diria que Eliana se aventuraria a regravar um clássico de Chico Buarque, do musical Os Saltimbancos? Pois é! Ela se arriscou em “Bicharia” e o resultado ficou encantador

A única mudança foi em um trechinho da letra: onde se dizia “Quando a porca torce o rabo, pode ser o diabo”, Eliana suavizou para “Quando a porca torce o rabo, pode ser danado”

Outro destaque é “Aniversário do Tatu”, um dos primeiros grandes sucessos da dupla Sandy & Júnior, regravado por Eliana exatamente dez anos após o lançamento original. A música mantém o mesmo charme bobo e divertido que sempre marcou as canções infantis da época  e ficou uma delícia na voz da loirinha dos dedinhos.

Daria para a apresentadora fazer um CD só com as regravações do grupo Trem da Alegria, que no fim combinava tanto com a loirinha que até parecia que eram feitas para ela. Este é o caso de Tic Tac do Amor que foi originalmente lançada em 1986, e que se encaixou perfeitamente na lista desse album.

Entre as inéditas do álbum, “Feito Pião” se destaca por sua energia alegre e contagiante, mas o grande destaque mesmo vai para “Um Mundo Ideal”, versão do clássico da trilha sonora original de Aladdin. A música ganhou uma interpretação especial e inesperada, com Eliana dividindo os vocais com Alexandre Pires, uma parceria inusitada que encantou o público.

O dueto fez tanto sucesso que acabou dando nome ao especial de Ano Novo da apresentadora naquele ano, em que os dois cantaram juntos a faixa em uma performance cheia de emoção.

Entre as regravações, ainda tivemos “Pra Ver Se Cola”, sucesso do Trem da Alegria “A Casa”, que curiosamente era a segunda vez que a loira gravava a canção, em 1996, ela já havia feito uma versão. A primeira gravação seguia um instrumental bem próximo do original, enquanto a de 2001 ganhou uma nova roupagem em estilo MPB, mais suave e melancólica, e com vocais mais maduros.

O álbum ainda traz “Coração de Papelão”, da dupla Jairzinho e Simony, e “O Carimbador Maluco”, eternizada por Raul Seixas no especial Plunct Plact Zuum, exibido em 1983 na Rede Globo. Tivemos também "Todo dia é dia de natal" que como o titulo sugere, é uma faixa com temática natalina. 

Lembra que eu comentei que este álbum seria, assim como o anterior, uma forma de divulgar um novo anime que estava voltando ao Brasil? Pois é, e aí mora o maior problema do projeto. Vamos entender essa história?

Sailor Moon foi um dos animes pioneiros exibidos no Brasil, estreando na Rede Manchete em 1996, mas apenas com a primeira temporada. Em 2000, o Cartoon Network adquiriu os direitos e exibiu a segunda temporada, agora dublada pela BKS e no ano seguinte, o anime passou a ser exibido dentro do programa “Eliana & Alegria”, na Record.

A ideia era simples: repetir o sucesso avassalador que Pokémon havia alcançado. Mas, dessa vez, não deu certo e até hoje o motivo do fracasso ainda é um mistério. Mesmo assim, a canção-tema de Sailor Moon gravada pro CD ganhou um videoclipe exclusivo, exibido no programa.

Aproveitando a onda dos animes, Eliana convidou o ilustrador Fábio Yabu para criar uma história em quadrinhos inspirada nesse universo, intitulada “Guerreira Eliana” , uma mistura encantadora de Pokémon, Sakura Card Captors e Sailor Moon.

A primeira edição foi lançada na revista Eliana, em 14 de novembro de 2001, e trazia uma trama cheia de fantasia: a loira precisava proteger um ovo mágico que a transformava em uma guerreira, enquanto buscava uma criança especial para salvar um planeta alienígena.

 



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